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História do judô no Brasil: do Kasato Maru (1908) a Beatriz Souza (2024)

História do judô no Brasil: do Kasato Maru (1908) a Beatriz Souza (2024)

116 anos de judô brasileiro: chegada com a imigração japonesa, institucionalização, estreia olímpica, geração dourada masculina e revolução feminina. O caminho que levou até Beatriz Souza no ouro de Paris 2024.

24 de julho de 2026 ·Judô Honda Indaiatuba ·8 min de leitura
História do judô no Brasil: do Kasato Maru (1908) a Beatriz Souza (2024)

Quando Beatriz Souza subiu ao topo do pódio em Paris 2024, com o ouro pesado feminino pendurado no pescoço, ela fechou (sem saber) um arco que começou em 1908. Cento e dezesseis anos antes, um navio chamado Kasato Maru atracava no Porto de Santos com 781 imigrantes japoneses. Entre eles, os primeiros praticantes de judô a pisar em solo brasileiro.

Este texto é sobre essa longa história: como o judô chegou, floresceu, e se firmou como uma das maiores tradições olímpicas brasileiras.

1908: o Kasato Maru

18 de junho de 1908. O navio japonês Kasato Maru chega ao Porto de Santos com 781 imigrantes japoneses. A primeira leva oficial de imigração japonesa para o Brasil, dentro de acordo entre os dois países pra mão de obra na lavoura de café.

Entre esses primeiros imigrantes, havia praticantes de judô e jujutsu. Mitsuyo Maeda (que ficaria conhecido no Brasil como Conde Koma) chegou pouco depois, em 1914, se estabelecendo eventualmente no Norte do país, onde influenciaria decisivamente uma família chamada Gracie (dando origem, mais tarde, ao jiu-jitsu brasileiro).

O judô entrou no Brasil pela imigração. Não pela institucionalidade, não pela federação, não pela mídia. Pelas famílias. Foi ensinado dentro das colônias japonesas, em ambientes privados, por décadas.

1930 a 1950: a institucionalização

Ao longo das décadas de 1930 e 1940, o judô começou a sair das colônias e se abrir pra brasileiros não descendentes. Fundação de dojôs em São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Manaus e outras cidades com forte presença japonesa.

Marcos institucionais:

  • Décadas de 1950–1960: fundação de federações estaduais e organização institucional inicial do judô no país
  • Anos 1960: reconhecimento oficial do judô como modalidade esportiva no país
  • 1969: fundação da atual Confederação Brasileira de Judô (CBJ)

Esse período foi de estruturação técnica. As primeiras gerações de senseis brasileiros formaram alunos que formariam senseis, e a rede foi se ampliando. Cidades do interior de São Paulo (incluindo Indaiatuba, com sua forte colônia japonesa) foram entrando no circuito.

1964: estreia olímpica do judô

Tóquio 1964. O judô estreia como modalidade olímpica, no país que o criou. O Brasil participa.

1972, Munique. Primeira medalha olímpica brasileira de judô: bronze de Chiaki Ishii (imigrante japonês naturalizado brasileiro) no peso meio-pesado. É simbólico: a primeira medalha do Brasil em judô olímpico veio pelas mãos de um representante direto da comunidade japonesa que trouxe o esporte pra cá.

1988, Seul. Aurelio Miguel conquista o primeiro ouro olímpico do Brasil em judô (categoria meio-pesado). Momento histórico. Aurelio, filho de família tradicional paulistana, virou ícone de uma geração inteira.

1990 a 2010: a geração dourada masculina

1992, Barcelona. Rogério Sampaio ouro no peso leve.

Anos 90 e 2000: atletas como Henrique Guimarães, Flávio Canto, João Derly, Tiago Camilo, Leandro Guilheiro consolidam o Brasil no top-10 mundial do judô masculino, com medalhas em várias Olimpíadas e Mundiais.

2007, Rio de Janeiro. O Brasil conquista o Campeonato Mundial com João Derly (peso leve masculino), primeiro ouro mundial brasileiro em judô.

2012 em diante: a revolução feminina

2012, Londres. Sarah Menezes conquista o primeiro ouro olímpico feminino brasileiro em judô (peso ligeiro). Foi um choque simbólico: o Brasil que sempre teve tradição masculina no judô agora firmava-se também no feminino.

2013, Rio de Janeiro. Rafaela Silva conquista o primeiro ouro mundial feminino brasileiro em judô (peso ligeiro), no Rio, e o mundo do esporte reconhece o poder do judô feminino no Brasil.

2016, Rio de Janeiro (Olimpíadas). Rafaela Silva conquista o ouro olímpico no peso ligeiro, em casa. Momento definidor de uma geração.

2016, 2020, 2024: Mayra Aguiar conquista três medalhas olímpicas de bronze consecutivas no peso meio-pesado, uma das trajetórias femininas mais consistentes de qualquer esporte brasileiro.

2024, Paris. Beatriz Souza conquista o ouro olímpico no pesado feminino, marcando o ápice da geração feminina brasileira do judô.

O papel de Indaiatuba nessa história

Indaiatuba não figura entre as cidades sede dos grandes atletas olímpicos brasileiros. Historicamente, isso se concentra em São Paulo capital, Rio de Janeiro, Curitiba, Manaus, Pindamonhangaba. Mas Indaiatuba é parte da rede que sustenta o esporte:

  • Colônia japonesa forte desde as primeiras décadas do século XX
  • Dojôs estabelecidos há décadas formando judocas
  • Presença ativa no circuito paulista através da 15ª Delegacia da FPJ
  • Atletas classificando-se para Brasileiros de base periodicamente

O Judô Honda Indaiatuba, especificamente, faz parte dessa engrenagem, formando atletas desde 2008 sob a liderança do Sensei Sergio Honda, tricampeão mundial de veteranos.

O que faz o judô brasileiro ser o que é

Alguns fatores que ajudam a explicar por que o Brasil se firmou como potência mundial no esporte:

1. Tradição imigratória forte. As colônias japonesas do país deram base técnica e cultural pra várias gerações.

2. Estrutura federativa consolidada. CBJ, federações estaduais, delegacias regionais. Nem tudo é perfeito, mas existe uma rede funcional que outros países invejam.

3. Programa de bolsa-atleta. Federais, estaduais e municipais. Permite que atleta de alto rendimento sobreviva do esporte durante o ciclo de preparação olímpico.

4. Cultura de base. Categorias infantis fortes, competições regionais periódicas, calendário anual denso.

5. Talento genético e social. Brasil é país grande, diverso, com aptidão física ampla. Judô, sendo esporte por categoria de peso, permite que corpos variados encontrem lugar.

O que o futuro guarda

O próximo ciclo olímpico (Los Angeles 2028) já está sendo preparado. Novos atletas surgirão. Alguns talvez daqui a poucos anos, outros ainda em turmas Sub-9, Sub-11 e Sub-13, hoje. Nome que ninguém sabe ainda pode ser destaque na próxima Olimpíada.

Talvez alguns venham de Indaiatuba. Talvez de outras cidades pequenas. Talvez dos grandes centros como historicamente. A força do esporte é essa: base larga, ponta afiada.

Se você quer fazer parte dessa história

Toda medalha olímpica começa com uma primeira aula. Quer saber onde essa história começa pra sua família?

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Judô Honda Indaiatuba Rua Alagoas, ao lado do nº 90, Cidade Nova II Terça e quinta · 18h às 21h WhatsApp (19) 99425-7881

Uma última palavra

O judô brasileiro não começou ontem: é uma história de mais de um século, construída por famílias, dojôs, senseis e atletas que carregaram o esporte de geração em geração. Quando você matricula seu filho no dojô, você entra nessa corrente. E ela é boa.

Filiações Oficiais

O Honda é parte da rede oficial do judô, do estado ao mundo.

Filiação ativa que assegura participação em campeonatos, graduação reconhecida e formação dentro dos padrões internacionais.

[ Substituir SIGLAS por logos oficiais das federações quando disponíveis ]