Do interior paulista ao pódio mundial, pelo caminho suave.
Sérgio Honda nasceu em Espírito Santo do Pinhal, mas se mudou cedo pra Indaiatuba, onde mora há cinco décadas. Quem o apresentou ao tatame foi um tio dele, que era professor de judô em Campinas. Ele começou indo assistir os treinos do tio junto com o Professor Murayama, gostou do que viu, e em 1968, aos 16 anos, resolveu começar a praticar.
Sete anos depois, em 1975, conquistou o Shodan, a primeira graduação preta. De lá pra cá nunca mais parou. Em 2025 celebrou 50 anos como faixa preta, num vídeo-tributo que reuniu mensagens de medalhistas olímpicos como Rafael "Baby" Silva, Charles Chibana, Erik Takabatake e Felipe Kitadai. Todos referências do judô brasileiro.
Pela seleção brasileira foram onze participações em Mundiais de Judô entre 2007 e 2017, histórico raro entre brasileiros. Em três deles subiu ao lugar mais alto do pódio, virando tricampeão mundial de veteranos: São Paulo 2007, Miami 2012 e Amsterdam 2015. Em 2019, ainda somou ao currículo o título de Campeão Sul-Americano.
Mas o que define Sensei Honda dentro do Judô Honda não está nas medalhas. Está na escolha de manter o dojo como uma família. Aqui cada aluno é tratado pelo nome, cada graduação vira cerimônia coletiva, e ninguém viaja sozinho pra uma competição. Como ele mesmo diz, "se for um só, eu vou com ele". O que se forma no dojo não é só atleta. É caráter forjado em respeito, disciplina e prosperidade mútua. Os princípios que Jigoro Kano fundou em 1882, e que o Honda preserva intactos.
Hoje, com mais de 300 atletas formados e o dojo na 18ª temporada, Sensei Honda dedica o tempo integralmente ao Judô Honda Indaiatuba. São treinos diários, viagens com a equipe pelo Brasil, e o cuidado com a próxima geração de senseis, muitos deles ex-alunos da casa que hoje dão aulas em outros estados e até no Japão.