Quem é Soichi Hashimoto: o medalhista olímpico japonês que está no Kangueiko de Aguaí
Bronze olímpico em Paris 2024, campeão mundial em 2017, hexacampeão de Grand Slam e um dos maiores nomes do -73 kg da última década. Um perfil biográfico do judoca japonês que está treinando com os atletas do Judô Honda Indaiatuba no 5º Kangueiko de Aguaí.
Nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, os atletas do Judô Honda Indaiatuba subiram ao tatame do Ginásio "Domingão", em Aguaí, para um treino ministrado por um homem que carrega no currículo tudo o que um judoca sonha ter: um título mundial, uma medalha olímpica, seis títulos de Grand Slam, cinco de World Masters e — talvez o mais raro — o respeito de duas gerações do judô japonês.
Ele se chama Soichi Hashimoto. E este é o motivo pelo qual ele está no Brasil.
O básico
- Nome completo: Soichi Hashimoto (橋本壮市)
- Nascimento: 24 de agosto de 1991
- Local: Shizuoka, Japão · criado em Tóquio
- Altura: 1,70 m
- Categoria: peso ligeiro (−73 kg)
- Universidade: Universidade Tokai
- Clube: Park24 (uma das empresas japonesas que mantêm equipes de judô de alto rendimento)
- Técnico: Minoru Konegawa
- Graduação: 3º Dan faixa preta
A ascensão: de campeão nacional a rei do −73
Hashimoto começou a chamar atenção em nível nacional em 2015, quando venceu o All-Japan Championships — a competição mais concorrida do judô japonês, considerada por muitos mais dura que um próprio Mundial. Naquele mesmo ano, subiu ao pódio de seu primeiro Grand Prix internacional, o de Qingdao, com o ouro.
Em 2016, começou a coleção de títulos de peso: Grand Slam de Tóquio e World Masters de Guadalajara. Nos dois maiores palcos do calendário anual do judô mundial, o japonês colava o rosto no tatame como quem tinha vindo pra ficar.
2017: o ano do mundo
2017 foi o ano. Em Budapeste, no Campeonato Mundial de Judô, Hashimoto entrou como um dos favoritos e saiu com o que só sete judocas no mundo levaram pra casa naquele ano: a medalha de ouro individual. Aos 25 anos, tornava-se campeão mundial dos −73 kg.
Naquele mesmo ano, ainda cravou dois Grand Slams (Paris e Ecaterimburgo) e o World Masters de São Petersburgo. Um judoca no auge, com um estilo que já intrigava comentaristas por todo o mundo.
As pratas mundiais — e a coroação olímpica
De 2018 em diante, Hashimoto virou o "cara do pódio" nos Mundiais: prata em Baku (2018) e prata em Tashkent (2022), além de bronzes em Budapeste (2021) e Doha (2023) — três vice-campeonatos mundiais individuais em cinco anos. Somando a esses um bronze em Budapeste (2021), ele acumulou cinco medalhas individuais em campeonatos mundiais ao longo da carreira.
E, por dentro, seguia sendo peça central da seleção japonesa de equipes mistas: 6 títulos mundiais por equipes entre 2017 e 2023.
Mas a coroação veio no palco onde todo judoca japonês sonha estar — as Olimpíadas. Em Paris 2024, Hashimoto entrou na disputa dos −73 kg como veterano experiente e trouxe pra casa a medalha de bronze, batendo o kosovar Akil Gjakova com um waza-ari via tai-otoshi na luta decisiva. Aos 32 anos, ele finalmente tinha a medalha olímpica que faltava na coleção. E ainda faturou uma prata olímpica por equipes na mesma Paris.
O que ele coleciona
Vale listar por extenso, porque números soltos não dão a dimensão:
- 1 ouro mundial (2017)
- 2 pratas mundiais individuais (2018 · 2022)
- 2 bronzes mundiais individuais (2021 · 2023)
- 6 ouros mundiais por equipes (2017 · 2018 · 2019 · 2021 · 2022 · 2023)
- 1 bronze olímpico individual (Paris 2024)
- 1 prata olímpica por equipes (Paris 2024)
- 6 títulos de Grand Slam (Tóquio 2016, Paris 2017, Ecaterimburgo 2017, Paris 2019, Paris 2020, Tóquio 2022)
- 5 títulos de World Masters (Guadalajara 2016, São Petersburgo 2017, Qingdao 2019, Budapeste 2023, e mais uma prata em Doha 2021)
- 2 títulos de Grand Prix (Qingdao 2015, Montreal 2019)
- 1 ouro no Campeonato Asiático (Tashkent 2016)
- Múltiplos títulos do All-Japan Championships entre 2015 e 2023
É a folha de resultados de um dos maiores nomes do peso −73 kg da última década.
O estilo — e a ponte com o Brasil
O que os comentaristas do circuito IJF sempre destacaram no Hashimoto é o domínio incomum do ne-waza — o judô de chão. Enquanto muitos judocas japoneses seguem escola clássica focada em projeções perfeitas (nage-waza), Hashimoto virou referência por chaves de braço sofisticadas e transições em pé/solo que parecem mais próximas do jiu-jitsu brasileiro do que da tradição do Kodokan.
Não é acidente. Vários analistas de judô especularam abertamente ao longo dos anos que ele teria treinado BJJ em algum momento da carreira — algo que, verdade ou não, deixa uma conexão simbólica com o Brasil que agora ganha ares literais: um dos judocas japoneses com mais afinidade técnica com o solo brasileiro pisou o tatame paulista para ensinar 380 atletas em Aguaí — incluindo a delegação do Honda.
Aposentadoria e o pós-tatame
Após o Mundial de 2023 e as Olimpíadas de Paris 2024, Hashimoto anunciou o encerramento da carreira competitiva de alto rendimento. Em 2025, apareceu para o mundo em novo formato: como um dos protagonistas da Team Japan na série da Netflix "Physical: Asia" — competição internacional que reúne atletas de elite de vários esportes num programa de resistência física e superação.
Do tatame olímpico para o entretenimento global, do −73 kg para uma segunda vida como referência esportiva — Hashimoto ainda tem muito o que oferecer ao esporte que o formou.
Por que ele está no Kangueiko de Aguaí
O Judô Honda Indaiatuba é uma equipe pequena em números, mas conectada a um circuito que trouxe dois medalhistas olímpicos para 90 minutos de estrada de casa. É pra isso que se viaja num kangueiko: para encurtar a distância entre o dojo de bairro e a Olimpíada.
Ver o Miguel, o Lucas Tsuji, a Lídia e o Davi Von Ah — sob o olhar do Sensei Sergio Honda — atacando um randori sob a orientação direta de Soichi Hashimoto é o tipo de imagem que não se consegue com dinheiro. Se consegue com trabalho, com organização, com kangueiko e com sorte de estar no lugar certo, na hora certa.
Amanhã, sexta-feira, tem mais. Hashimoto comanda o treino do G1 às 8h da manhã e o G2 pega ele novamente em outro momento do dia. É a última rodada de treino antes da 2ª Copa Internacional de Judô de Aguaí, no sábado. Depois disso, a Honda volta pra casa. Volta diferente.
Fontes desta matéria (texto e imagem):
- Wikipedia — Soichi Hashimoto
- Federação Internacional de Judô — IJF
- Olympics.com — Paris 2024
- Foto: Presidential Press and Information Office of Azerbaijan · Fotógrafo Tofik Babayev · Wikimedia Commons (CC BY 4.0)