2º dia do Módulo de Nage-no-Kata: Vinícius, Patrícia e o Sensei Honda no tatame de Campinas
Domingo, 26 de julho de 2026: Vinícius Akira Pinto fecha o Módulo de Nage-no-Kata da 15ª Delegacia da FPJ na Academia Judô Yamamoto, em Campinas, com o Sensei Sergio Honda e a mãe, Patricia Mitiko Tsuji Pinto, no tatame nos dois dias.
Domingo, 26 de julho de 2026. Segundo e último dia do Módulo de Nage-no-Kata da 15ª Delegacia da Federação Paulista de Judô, na Academia Judô Yamamoto, em Campinas. No tatame, o Vinícius Akira Pinto fecha mais um dos requisitos obrigatórios do caminho até a faixa preta.
E não fecha sozinho: estão lá o Sensei Sergio Honda e a Patricia Mitiko Tsuji Pinto, que é mãe do Vinícius e judoca do Judô Honda Indaiatuba. Ela esteve de kimono nos dois dias, sábado e domingo.

O tatame do Yamamoto no domingo: candidatos de vários dojôs da 15ª Delegacia, senseis instrutores e o retrato de Jigoro Kano olhando o trabalho de cima.
O que o segundo dia cobra
No primeiro dia o trabalho é de reconhecimento: apresentação das quinze projeções, divisão nos cinco grupos técnicos (te-waza, koshi-waza, ashi-waza, ma-sutemi-waza e yoko-sutemi-waza), demonstração de referência da comissão técnica e as primeiras rodadas de execução com correção individual.
O segundo dia é outra coisa. É onde o kata precisa virar sequência inteira, sem parar. Não basta acertar o uki-otoshi ou o kata-guruma isolado: o candidato tem que atravessar as quinze técnicas na ordem, cada uma executada duas vezes (um lado e depois o outro), com os cumprimentos ritualizados no começo e no fim, a distância certa entre tori e uke, o ritmo mantido do primeiro ao último movimento.
É aí que aparecem os erros que o primeiro dia esconde. Cansaço muda a cadência. Pressa encurta a saudação. Um passo trocado no deslocamento desalinha as três técnicas seguintes. Por isso o módulo tem dois dias e não um: o segundo existe para transformar técnica solta em forma contínua.
Uma família no mesmo tatame

Patrícia, Sensei Honda e Vinícius no intervalo do segundo dia, os três com o escudo do Judô Honda Indaiatuba no kimono.
Essa foto vale um parágrafo inteiro. À esquerda a Patrícia, faixa verde. No centro o Sensei Sergio Honda. À direita o Vinícius, faixa marrom, o candidato do dia. Três gerações do mesmo dojô no mesmo kimono, num sábado e num domingo que poderiam ter sido de descanso.
Quem acompanha o Judô Honda já viu essa cena antes. No Módulo de Fundamentos Técnicos, em julho, foi a Patrícia quem assumiu o papel de uke do próprio filho, a pessoa que recebe cada projeção para que o candidato consiga demonstrar. Sem uke que dê pega firme e caia no tempo certo, não existe demonstração de kata: o candidato simplesmente não tem o que mostrar.
No judô sério, a graduação de um atleta nunca é obra de uma pessoa só. Tem quem executa e tem quem sustenta.
O Sensei presente

Sensei Sergio Honda e Patrícia no dojô de Campinas, no domingo do módulo.
O Sensei Sergio Honda aos 66 anos ainda compete em Mundial máster, e mesmo assim atravessa Campinas num fim de semana para acompanhar módulo de graduação de aluno. Não é figuração: é o técnico responsável olhando cada detalhe da execução, do posicionamento do quadril à altura do olhar.
Esse acompanhamento é o que separa uma faixa preta assinada de uma faixa preta construída. O exame é individual, mas a preparação nunca foi.
Com quem se aprende kata

Fim do módulo: Vinícius (à esquerda, faixa marrom) ao lado dos senseis de faixa coral que conduziram os dois dias e do Sensei Sergio Honda (à direita, faixa preta), sob o retrato de Jigoro Kano.
Olha a foto de novo e repara nas faixas. Três coral, vermelha e branca, que na estrutura da Federação Paulista marcam do 6º ao 8º dan. É gente com quatro, cinco décadas de tatame nas costas.
Kata não se aprende em vídeo. Se aprende com quem já executou o Nage-no-Kata mil vezes e sabe exatamente onde o candidato vai errar antes de ele errar: a mão que sobe cedo demais no seoi-nage, o quadril que não entra no uki-goshi, o olhar que desvia na hora da saudação. Por isso o módulo exige presença física e não aceita substituto.
Na ponta esquerda da foto, o Vinícius de faixa marrom. Na ponta direita, o Sensei Honda, faixa preta, que levou o aluno até ali. No meio, a geração que vai avaliar se o shodan sai. É a linha inteira do judô numa foto só, do candidato ao mestre.
O que ainda falta pro shodan
Com o Módulo de Nage-no-Kata concluído, o Vinícius soma mais um requisito obrigatório no calendário rumo ao Exame de Graduação à faixa preta. Já tinha cumprido o Módulo de Fundamentos Técnicos no início do mês. Restam os demais requisitos da Federação Paulista e o exame propriamente dito, diante da banca examinadora.
A faixa preta no judô não vem por tempo de casa nem por medalha acumulada. Vem por domínio técnico demonstrado em prova, com a banca cobrando exatamente aquilo que os módulos ensinaram. O Vinícius está riscando a lista, um módulo de cada vez, do jeito certo.
Parabéns aos três
Ao Vinícius, por dois dias inteiros de kata sem atalho.
À Patrícia, que fez o fim de semana completo ao lado do filho, no tatame e de kimono, como já tinha feito no módulo anterior.
Ao Sensei Sergio Honda, que continua fazendo o que faz há décadas: estar lá.
O shodan está mais perto. Vamos que vamos, Vinícius. 🥋
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